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Tic Tac: Parte IV - Como Aprender 100% do que Estuda

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Tic Tac: Parte IV - Como Aprender 100% do que Estuda

POR MARCÍLIO FALCÃO

O presente artigo será dividido em três partes. Na primeira delas, teórica, apresentarei as bases científicas que me dotaram de conhecimento para elaborar uma proposta prática de aplicação dos fundamentos da neurociência aplicados às especificidades da preparação para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD).

A segunda parte é mais prática. Nela apresento os princípios e técnicas de estudo, além de alguns vieses cognitivos, ou falácias, relativos à aprendizagem.

Na terceira, também prática, trataremos de estratégicas para fazer as revisões de conteúdo de maneira eficiente.

Parte I

Um pouco de neurociência

O que é a Memória

Lembro-me de quando comecei a me interessar pela ciência por trás da memória e dos processos cognitivos de assimilação e resgate daquilo que estudava.

Naquela época, a descoberta mais incrível que fiz foi a seguinte: nosso cérebro — diferentemente do disco rígido (HD) de um computador — não guarda as informações em compartimentos físicos: trilhas, cilindros e clusters.

As lembranças da memória humana não se recuperam tais quais são, como nos computadores, mas são reconstruídas pela reativação de um padrão elétrico transmitido entre as diferentes redes neurais que se formaram. Cada vez que trazemos à tona uma determinada lembrança, estamos, na verdade, reconstruindo a experiência (e, portanto, os padrões de ativação sináptica) que tivemos quando vimos, ouvimos ou sentimos aquele estímulo.

Por isso, graças à plasticidade sináptica, as memórias, ao longo do tempo, se fortalecem (por meio de um processo conhecido como consolidação) ou enfraquecem (quando as abandonamos), ou até se modificam (quando as matizamos com novas experiências). O primeiro fenômeno, conhecido como potenciação de longo prazo (LTP), ocorre quando há a repetição e a recuperação ou reconstrução reiterada das lembranças.

A LTP é um processo em que as conexões entre os neurônios se fortalecem com o uso repetido, o que facilita a recuperação da memória. Isso é fundamental para consolidar o que foi estudado para uma prova, já que a repetição é necessária para a fixação do conhecimento.

Uma maneira simples de entender como ativamos nossas lembranças é imaginar um teclado. Suas teclas estão todas ali e o significado surge ao encontrar a sequência correta, as redes de neurônios contêm as "letras" da memória, que são ativadas conforme um padrão específico para formar a lembrança completa.

As Regiões do Cérebro e suas Funções

O Córtex Occipital e as Memórias Visuais

O córtex occipital é o processador visual do seu cérebro; ele ajuda a ‘ver’ as memórias na sua mente.

Nessa linha, quando temos um estímulo visual, essa região específica do cérebro codifica a informação e cria padrões neurais que representam essa nova memória. Olhe a imagem abaixo.

Perceba que você não precisou subvocalizar ou mentalizar as palavras que a descrevem, mas mesmo assim, conseguiu identificar o que é e formar uma imagem mental dela. Agradeça ao seu córtex occipital por essa capacidade de processar e assimilar imagens.

Quando você fecha os olhos e tenta reproduzir mentalmente a imagem acima, ativa uma rede neuronal integrada ao córtex occipital, que interage em menor ou maior grau com outras regiões do cérebro.

O Córtex Temporal e as Memórias Semânticas

Já as memórias semânticas, um subtipo das memórias declarativas, abrangem fatos, eventos, conceitos e informações gerais, associadas a conhecimento objetivo. São justamente aquelas que você quer aprender para usar na hora da prova. Elas são assimiladas pelo córtex temporal medial, que interage com o hipocampo, que as organiza.

Veja agora a descrição da imagem anterior:

"A imagem mostra uma aurora boreal em tons de verde e azul, com faixas de luz ondulantes no céu noturno. As luzes se refletem de maneira clara e intensa na superfície calma de um lago, criando uma simetria entre o céu e a água. Ao fundo, é possível ver uma linha de montanhas escuras que complementam a paisagem natural."

Perceba que, ao combinar o apelo descritivo com a imagem, você cria um padrão de ativação da lembrança também no córtex temporal, incluindo a Área de Wernicke, que é responsável pela interpretação da linguagem. Essa ativação reforça as memórias declarativas e semânticas associadas ao conteúdo descrito, além de envolver a audição e o processamento verbal.

Combinando diferentes estímulos e promovendo a interação entre diferentes córtices do cérebro, sua capacidade de reconstrução mental ou descritiva da imagem é amplificada exponencialmente. O mesmo ocorrerá com os seus estudos, como veremos mais adiante.

A Amígdala: o Papel das Emoções e da Vivência Prática

Quando há emoção envolvida, a amígdala interage com o hipocampo e estimula a liberação de hormônios, como o cortisol e a adrenalina, pelas glândulas adrenais, além de neurotransmissores como a noradrenalina, amplificando a resposta sináptica e tornam as memórias mais vívidas e facilmente resgatáveis no futuro.

Lembra do perfume no pescoço do seu primeiro (ou último) amor; do momento em que as torres gêmeas foram atingidas nos EUA; ou do que sentiu quando viu pela primeira vez o rosto de seu bebê?

Use, portanto, as emoções a seu favor: relacione o conteúdo dos estudos a experiências pessoais que você já teve. Imagine as cenas descritas nos livros de história ou política internacional como se fossem filmes. Crie imagens vívidas dos fatos. Associe conceitos a aplicações práticas que você pode ter na sua vida profissional ou pessoal. Dê-se pequenas recompensas quando atingir seus objetivos de estudo, promovendo a liberação de dopamina e reforçando o ciclo de aprendizado.

Vou contar uma experiência pessoal. Quando coordenava uma escola de inglês, nos idos de 2005-2006, e iniciava minha trajetória que me traria ao Itamaraty, lembro-me do meu deslumbramento quando me deparei com o conceito de elasticidade-preço da demanda nos meus estudos de economia.

Imediatamente, apliquei o conceito ao processo de formação de preços e demanda por cursos de inglês. Entendi que a demanda por aquele serviço era elástica, isto é, muito sensível a aumentos e reduções de preço. Ao mesmo tempo, tínhamos várias turmas que não estavam completas de alunos. Assim, sugeri à minha chefe um política de redução de preço que permitia preencher as turmas já iniciadas, mas com capacidade de receber mais alunos, por meio da oferta de descontos para aquele grupo adicional. É algo na linha do que fazem as companhias aéreas quando têm capacidade ociosa em um voo.

Depois de aplicar aquele conhecimento teórico e abstrato em algo que fazia parte do meu dia a dia, tornei-me senhor daquele conceito. Se caísse na prova, certamente daria risadas de alívio.

Como Aprendemos...

Nós aprendemos o conteúdo que estudamos por meio de um processo em que o cérebro capta, decodifica, processa, armazena e reelabora (vulgarmente resgata) as informações.

A etapa da captação ocorre por meio dos sentidos, isto é, a visão e a audição, considerando o aprendizado voltado para provas. Como dito, esses dados são processados pelas áreas correspondentes do córtex sensorial, que transformam os estímulos em sinais elétricos que podem ser interpretados.

O processo seguinte, de decodificação, é quando é atribuído sentido aos estímulos sensoriais. Os estímulos visuais são interpretados pelo córtex occipital, que decodifica letras, formas, cores, movimentos e tonalidades que compõem as imagens ou textos.

O córtex temporal, por sua vez, interpreta sons (ouvidos ou lidos) como palavras e tons. Nesse processo, a Área de Wernicke, responsável pela compreensão da linguagem, tem um papel fundamental ao interpretar o significado das palavras e frases.

A fase de processamento, que corresponde à integração e à contextualização da informação, conta com o hipocampo e com o córtex pré-frontal para organizar as informações e associá-las a conhecimentos, memórias e experiências pré-existentes. É nesse momento que os estímulos podem ser amplificados por meio da ação da amígdala.

O armazenamento, isto é, a transfiguração da memória de curto prazo em uma de longo prazo, ocorre por ação do hipocampo. Essa consolidação se dá especialmente durante o sono, quando o hipocampo se comunica com os diferentes córtices cerebrais para enviar as memórias processadas segundo seu tipo (visuais no córtex occipital; declarativas no temporal).

Como explicado no início do texto, ao contrário do que imaginamos, nós não resgatamos nossas memórias — nós as reelaboramos, reconstruindo-as a cada vez que as acessamos. Isso ocorre, mais uma vez, porque as memórias são armazenadas como redes de padrões de ativação neural, e a recuperação se dá pela reativação dessas redes, com todas as associações contextuais e emocionais feitas no momento em que a experiência sensorial ocorreu.

O mais interessante é que, por ser uma reconstrução que depende da formação de redes sinápticas, a memória pode sofrer pequenas e até grandes alterações a cada reelaboração, pois ela se adapta sempre à nossa perspectiva atual e às vivências subsequentes à sua criação! Incrível, não é?

O conceito de reelaboração das memórias tem implicações didáticas e metodológicas avassaladoras. Ele implica que as suas práticas de estudos devem prever atividades que estimulem a revisão dos conteúdos por meio da aplicação de técnicas de repetição espaçada e sobretudo da recriação ativa, como falaremos adiante, na parte prática do artigo.

... e por que Esquecemos o que Estudamos

O esquecimento é um processo natural e benéfico. É inclusive uma proteção para o cérebro. Imagine ter que lidar ao mesmo tempo com todas as informações que já circularam pela nossa mente.

Certa feita, almocei com um colega diplomata brilhante, de memória perfeita. Fiquei impressionado como ele conseguia narrar um ‘caso’ diplomático de 40 anos atrás com uma riqueza de detalhes impressionante. Eram datas exatas, nomes de rua, sobrenomes em chinês, relações de parentesco e outros pormenores que seriam impossíveis para uma pessoa normal como eu lembrar.

Contudo, essa habilidade sobre-humana tem seu preço. Pessoas com tal capacidade sofrem de uma extrema dificuldade de separar o que é importante do que é acessório. Acabam amiúde aferrando-se a minúcias quase insignificantes diante de um simples pedido de uma descrição breve e sucinta de um fato ou conceito.

Ainda bem que esquecemos — assim podemos "dizer" ao cérebro o que é que realmente queremos lembrar. Costumo dizer que os conteúdos estudados são como os relacionamentos com amigos ou com a pessoa amada. Eles precisam ser regados, saboreados, alimentados, fortalecidos. Para um amigo de verdade, você telefona no aniversário, Natal, Ano Novo; viaja junto, sai para jantar, dançar, passear, praticar esportes. Não é à toa que muitas vezes um completa as frases do outro.

Assim, você jamais aprenderá bem um assunto se o tratar apenas como um colega, que conhece só "de vista e de chapéu". Com os assuntos que você quer aprender, é imprescindível criar, ao longo do tempo, os laços que, uma vez formados, impedirão você de esquecê-los.

Quando revisitamos o conteúdo estudado, enviamos uma mensagem ao cérebro de que essa informação é relevante e merece ser armazenada em longo prazo. Esse processo é conhecido como consolidação da memória, que se fortalece toda vez que acessamos e revisamos o conteúdo, especialmente em intervalos espaçados.

Essa "reconstrução" da informação, feita de tempos em tempos, é o que a transforma em algo estável e acessível, como as memórias de um relacionamento duradouro que nutrimos com carinho ao longo dos anos.

Dessa forma, ao planejar nossos estudos, precisamos criar uma rotina de revisões que mantenha o conhecimento próximo, como quem cultiva uma amizade ou alimenta um relacionamento. Com o tempo, o cérebro aprende a priorizar esses conteúdos, integrando-os de maneira mais profunda, e esse conhecimento se torna parte de quem somos e do que sabemos.

Os principais motivos pelos quais esquecemos do que estudamos são:

● A interferência, isto é, um processo em que a sobrecarga de informações faz com que novos conteúdos compitam com conhecimentos antigos. Esse efeito pode ser minimizado por meio da classificação de conteúdos em um caderno digital e da revisão periódica e espaçada, que ajuda na consolidação de conhecimentos;

● A decadência da memória, que nada mais é do que o esquecimento por falta de revisão, também facilmente combatido com a ajuda da repetição espaçada;

● Falta de sono. Como dito, o hipocampo, região do cérebro responsável pela classificação, distribuição e consolidação das memórias de longo prazo atua sobretudo durante o sono, por meio do mecanismo de "replay", que repassa várias vezes as informações vistas durante o dia com o objetivo de organizá-las e armazená-las nos córtices a que pertencem. Com um sono comprometido, em que pese você tenha consumido grandes volumes de informação, você impede que seu cérebro desempenhe um processo fundamental no armazenamento e organização de seus novos conhecimentos;

● O esquecimento adaptativo se dá quando o cérebro passa a ignorar o que não é relevante. Por esse motivo, é sempre fundamental priorizar os conteúdos mais relevantes e frequentes da prova, revisando periodicamente os conceitos-chave.

Parte II

As Técnicas de Estudo

Princípios e Estratégias para Montar um Material de Estudos Eficiente

A esta altura do texto, já deve estar evidente para você que a melhor maneira de aprender é garantir que todas as atividades de estudo e revisão promovam a oportunidade de recriar, reconstruir, ressignificar, reexplicar, reelaborar (ou chame como quiser) o conteúdo visto. Este é o princípio mais importante, e todos os outros derivam dele.

A base para esse princípio é a noção neurobiológica de que cada novo acesso a uma memória é na verdade uma reconstrução de uma experiência sensorial que tivemos, e não algo que retiramos de um cluster cerebral e o reproduzimos tal qual é! Uau!

A testagem, isto é, o ato de colocar à prova sua habilidade de recontar algo que estudou, é uma excelente maneira de se forçar a reproduzir o conteúdo da maneira exata como gostaria de lembrá-lo na hora da prova. Mais adiante, apresentarei umas técnicas de testagem excelentes.

Do mesmo modo, e pensando em se esquivar dos vieses do sentido comum e da fluência de curto prazo, que veremos adiante, as sessões de revisão aos temas devem ser espaçadas, de maneira a permitir a consolidação de processos como a potenciação de longo prazo, que ocorrem durante o sono, por ação do hipocampo.

Por isso, é muito melhor estudar um assunto em quatro sessões de uma hora cada do que em uma sessão de quatro horas. O que era intuitivo para você agora tem bases científicas. Como e o quanto espaçar as sessões é um tema para a última parte deste artigo.

Outro princípio importante é a noção de que aprendemos por camadas. Todo novo conhecimento é construído sobre o que já sabíamos. Os conhecimentos prévios são uma espécie de cabideiro. O princípio das camadas de aprendizagem é fundamental para você conseguir atingir o nível de até 100% de retenção do conteúdo estudado, como prometido na proposta deste texto.

A ideia é que você aplique, em sequência, variadas técnicas do seu repertório de estudos até que você tenha a segurança de conseguir reproduzir aquele conteúdo.

Estudo de caso

Vou dar um exemplo de um fluxo interessante: você acabou de ler um texto. Provavelmente, sua capacidade de recitar apenas as ideias principais, nesse momento, é boa. Contudo, você vai lembrar em maior ou menor grau de dados muito específicos, que são tudo aquilo que você quer decorar tal qual é, como datas, números, conceitos exatos, artigos, incisos, citações exatas, nomes, termos, fatos, as notas de rodapé. Doravante, vou chamar esse conjunto de informações de “enfeites“. A leitura foi, portanto, só a primeira camada que você aplicou.

Nessa leitura, você já mapeou o conteúdo a ser memorizado, como explicarei mais adiante, identificando quais são as ideias principais, acessórias e os enfeites.

Uma possível segunda camada seria reproduzir à margem dos textos, ou destacar no texto, os “enfeites” que você quer decorar. Sim: decorar.

Destaco sempre que todo processo de aprendizagem requer um esforço deliberado de memorização. É preciso dizer para você mesmo que você quer e precisa aprender aquele dado, e a partir disso, aplicar os mecanismos e técnicas para de fato memorizá-lo.

Normalmente, essa segunda camada é o que chamo de mapeamento do conteúdo. Você está simplesmente apontando onde estão os enfeites. Não está ainda tratando de memorizá-los.

Neste momento, você pode começar a aplicar camadas adicionais. Um excelente método é a elaboração de perguntas abertas curtas, com foco em extrair de sua memória, no futuro, enfeites específicos.

Você adicionará tantas camadas quanto necessário até conseguir atingir o nível de reconstrução integral do conteúdo, incluindo sua trama geral e os enfeites. Quais seriam possíveis camadas adicionais? São as técnicas de estudos descritas mais adiante. Algumas das melhores são: a criação de flashcards ou cartão de estudos; a criação de assertivas contentos enfeites falsos, que precisam ser corrigidos; a criação de “FITB (fill-in-the-blanks: preencha as lacunas) sentences” (minhas preferidas), que são frases criadas com lacunas que seriam preenchidas com os enfeites.

Veja o trecho a seguir, retirado de “A Trajetória Política do Brasil”, de Francisco Iglesias:

“No início do Quinhentos, Portugal apresentava pequena população. Recenseamento feito em 1527 dava-lhe 1.326.000 habitantes. Cálculos mais sóbrios falam em cerca de 1,1 milhão em 1500. Essa população reduzida devia dirigir um Império imenso, com algumas partes na costa africana, ilhas no Atlântico e no Índico, possessões na Ásia, mesmo no Oriente mais remoto. Expedições chegaram ao Japão, estiveram no Sudeste, estabeleceram-se em pontos da China — em Macau —, em ilhas do Pacífico e do Índico, chegaram talvez à Austrália.”

Como podemos aplicar camadas de compreensão nesse parágrafo? Comecemos simplificando as ideias. À margem, anotamos:

Portugal: 1500 (1.1 mi hab) → 1527 (1.3 mi) Ocupou África, ilhas Atlântico e Índico. Expedições no Oriente (Japão, China - Macau, Austrália, Pacífico)

Uma subetapa da segunda camada seria a adição de palavras-chave ao lado de cada parágrafo, de modo a criar um tipo de cadeia associativa que permitisse a reconstrução da ideia geral do texto a partir de sua leitura. No exemplo em tela, essas palavras seriam: “população” e “ocupação”.

Primeira e segunda demãos aplicadas.

A terceira camada seria a transposição das informações para um caderno digital, mantido em uma ferramenta eficiente de anotações, como o Notion, Obsidian, OneNote, EverNote, etc. Minha preferida: Obsidian. A que recomendo: Notion.

Dedico, mais adiante, uma seção completa às técnicas e métodos de construção do seu caderno.

Uma quarta camada poderia ser a criação de duas perguntas específicas:

a) Qual era a população de Portugal até o fim dos anos 1530?

b) Quais regiões do globo Portugal ocupou no início das grandes navegações e até onde suas expedições exploratórias chegaram?

Nas próximas sessões de revisão do assunto, caso você não consiga reproduzir de memória os enfeites pedidos pelas questões de compreensão que criou, você avalia se é o caso de criar camadas adicionais.

Nesse caso, você criaria três cartões de estudo com os seguintes dizeres:

1) Portugal tinha X mi hab. em Y. Essa população subiu para Z em W.

2) Portugal ocupou ilhas no X e no Y, W e K.

3) Na Ásia, as expedições portuguesas chegaram a X, Z e W.

Você agora criou vários caminhos neurais para acessar o conteúdo. Acrescente camadas até que as tentativas de reconstrução do assunto comprovem que você internalizou com segurança não só a ideia geral do assunto, mas também todos os seus enfeites.

O Princípio da Especificidade

O último, e não menos importante, é o princípio da especificidade. Ele simplesmente propugna que devemos nos expor ao conteúdo da maneira como ele nos vai ser cobrado na prova. A intenção é que, nesse processo, desenvolvamos as competências linguísticas, associativas, analíticas e expressivas exatas que nos serão exigidas.

Neurologicamente, isso se relaciona à tendência do cérebro de fortalecer as conexões entre neurônios quando exposto repetidamente a estímulos ou tarefas semelhantes (mais uma vez, a LTP).

Quando você se envolve em atividades que se assemelham diretamente às tarefas que deseja dominar, você estimula exatamente os caminhos neurais necessários para a recuperação e aplicação, consolidando habilidades e conhecimentos relevantes.

Um exemplo perfeito da especificidade é o que muitos candidatos fazem quando querem aprender vocabulário de idiomas. Você acreditaria se eu contasse que tem gente que estuda vocabulário, com foco no CACD, assistindo Netflix e anotando palavras no caderno, com a esperança de assimilá-las?

Essa prática fere — ou melhor, vilipendia — a especificidade por vários ângulos. Primeiro, você não é avaliado na prova pelo conhecimento de vocabulário fora de contexto. Segundo, o custo-benefício dessa atividade é próximo de zero. Faz muito mais sentido desenvolver tarefas análogas à prova, como fazer uma versão de um texto (traduzi-lo do português ao idioma alvo).

Dessa maneira, o vocabulário surge à medida que você se depara com uma necessidade específica para usá-lo. Além disso, você treinará a escrita em um contexto real e análogo à prova, que contém complexidades adicionais à simples aplicação de vocabulário, como a aplicação de estruturas sintáticas, capacidade de síntese, estruturação do texto, etc.

A reelaboração espaçada, com frequentes episódios de testagem da reprodução do conteúdo com atividades análogas à prova, fortalecidas por camadas de aprendizagem, é portanto o princípio que deve alicerçar qualquer técnica e método de estudo adotado no seu projeto de aprovação.

Como Fazer Anotações: Montando seu Caderno ou Apostila de Estudos

A maior dúvida dos candidatos diz respeito a quanto do material original deve ser reproduzido na apostila de estudos — e como.

Quanto a esse ponto, eu recomendaria que você levasse para o caderno digital todo o conteúdo que gostaria de aprender e conseguir reproduzir. A ideia é que você possa até doar o livro depois de ter passado pelas duas primeiras camadas do aprendizado (as de mapeamento).

Você não vai fazer uma mera transcrição. Você vai traduzir o conteúdo para sua própria linguagem. Não crie frases longas. Não é necessário, tampouco, desenvolver o texto como se estivesse produzindo um livro. O objetivo agora é organizar as informações em um repositório de conteúdo que poderá ser facilmente acessado no futuro, durante as inúmeras revisões que serão feitas ao longo de sua preparação.

Se preferir, escreva parágrafos curtos, porém densos em informação.

Observe portanto o seguinte trecho, retirado do caderno de estudos de uma aluna minha do programa de mentoria para o CACD, que trata das novas tecnologias de navegação portuguesa:

“No século XV, as grandes navegações portuguesas foram impulsionadas por inovações tecnológicas que transformaram a exploração marítima.

Caravela. A introdução da [embarcação portuguesa], um navio leve, ágil, com velas triangulares, permitiu a navegação contra [dificuldades de navegação], possibilitando viagens mais longas e precisas.

Instrumentos. Instrumentos de navegação como [dois instrumentos] foram aperfeiçoados, facilitando [benefícios dos instrumentos]. O uso da [instrumento de orientação] e a produção de mapas mais detalhados, como os [nome dos mapas], proporcionaram maior segurança e previsibilidade. O aperfeiçoamento de instrumentos como o quadrante e o astrolábio que permitiam conhecer a localização de um navio pela posição dos astros, representou uma importante inovação. Boris Fausto, p. 24. (citação exata)

Sagres. A Escola de Sagres, sob o patrocínio de Dom Henrique, também teve um papel modesto nesse avanço ao reunir conhecimentos diversos que contribuíram para o sucesso das expedições, atuando como um [papel da escola]. Além disso, a escola contribuiu para a elaboração de novos [produtos], integrando conhecimento [fontes dos conhecimentos]. Ela simboliza o esforço coletivo de matemáticos, cartógrafos, navegadores e construtores navais reunidos em Sagres para aprimorar o conhecimento marítimo.”

Perceba os seguintes elementos:

1. Cada trecho começa com uma palavra-chave — um elo de uma cadeia associativa que permite à aluna recriar o texto integralmente a partir da mera leitura deles. Pelo menos essa é a intenção. Ela sempre começa as revisões lendo apenas essa cadeia associativa: Caravela → Instrumentos → Sagres. A partir dessas palavras, a futura diplomata testa sua capacidade de recontar o texto em detalhes.

2. A própria construção do texto tira proveito de mecanismos de fixação vistos na seção sobre neurociência: ela omite os enfeites do texto, deixando apenas ajudas-à-memória ou dicas de resgate (cue expressions) que, ao evitar releitura direta dos dados, obrigam a reelaboração do conteúdo, promovendo ainda mais a fixação dele, como vimos. Você pode alterar a cor do fundo de cada uma dessas cue expressions para indicar o seu nível de fluência e facilidade de resgate. Faça o mesmo com trechos do texto que você não conseguiu reproduzir a partir da leitura da cadeia associativa.

3. Dessa maneira, uma eventual releitura do texto do caderno não seria um ato passivo. Pelo contrário: seria uma prática ativa e reelaborativa.

4. Você pode manter as respostas às cue expressions à parte, como comentário (se estiver usando uma ferramenta como o Notion), ou em uma seção posterior da página. Você pode ainda enriquecer os comentários, adicionando mnemônicos (veja a seguir), emojis e conteúdo relacionado. Você pode, ainda, em outra seção do caderno, guardar links externos, citações interessantes do livro, adicionar quadros com controvérsias historiográficas, reflexões pessoais e tudo mais que ajude a estimular a conexão de ideias relativas ao tema.

As Falácias da Aprendizagem

O que mais me impressiona nos candidatos ao CACD é que pouquíssimos sabem estudar. Escrevi, há uns anos, inclusive, um artigo intitulado "O Guia de Reprovação para o CACD" (leia aqui), em que narro alguns dos métodos e técnicas de estudos mais aplicados pelos candidatos, mas que produzem resultados ínfimos ou até contraproducentes.

Portanto, antes de avançarmos para a parte mais prática e interessante do texto — aquela em que relaciono as melhores técnica de estudos — abro um parênteses para apresentar o que seriam algumas das falácias ou vieses cognitivos relativas ao processo de aprendizagem mais amplamente disseminadas entre os candidatos que limitam nossa capacidade de aprender corretamente.

A Releitura como Pior Método de Estudos

A primeira delas — e a mais nociva — é a de que a releitura de um texto é um método interessante de revisão. A verdade é que a mera releitura de algo que você já consumiu, ainda que seja da sua própria apostila de estudos, que você próprio criou, é a pior técnica de estudos que você pode adotar. Isso se explica por meio do viés (ou falácia) da familiaridade. Quando lemos o mesmo texto várias vezes, ele nos parece familiar, mas isso não significa que conseguimos explicá-lo ou aplicá-lo.

Por que não confiar na releitura de textos como atividade de revisão? Primeiro, ela consome quase tanto tempo quanto a leitura inicial, sem promover o engajamento ativo que o cérebro precisa para consolidar de fato a informação.

Segundo, uma única leitura (mesmo que repetida) ativa os mesmos caminhos neurais, sem criar novas conexões ou associações, nem fortalecer as já existentes, que enriqueceriam a compreensão e a memorização. Estudos em neurociência mostram que atividades que exigem recuperação ativa (como responder a perguntas, explicar o conteúdo ou criar resumos) incentivam a formação de novas conexões e aprofundam a memória, pois o cérebro precisa reconstruir o conteúdo a partir do zero. Em outras palavras, o aprendizado se fortalece quando desafiamos o cérebro a "resgatar" informações, em vez de apenas as "reler".

Terceiro, há técnicas muito mais eficientes de fixação de conteúdos. A repetição espaçada, o uso de mnemônicos, o método de interrogação elaborativa (questionar o "porquê" e o "como" das informações) e a criação de flashcards ou mapas mentais (em qualquer dos formatos conhecidos: em teia, rede, rizomático, hierárquico, pictórico, dicotômico, escama de peixe, etc.) são alternativas muito mais eficazes. Elas não apenas melhoram a fixação, mas também promovem a transferência do conhecimento, que é a capacidade de aplicar o que foi aprendido em diferentes contextos — uma habilidade essencial em provas complexas como o CACD.

Quarto, a releitura pode dar uma falsa sensação de familiaridade, um viés cognitivo conhecido como ilusão de competência, em que você sente que domina o material simplesmente porque reconhece o que está escrito nele. Essa confiança, no entanto, pode não se traduzir em retenção a longo prazo nem na habilidade de reproduzir ou aplicar o conhecimento em novos contextos.

A Ilusão da Fluência de Curto Prazo

O fato de conseguir fazer algo com alguma desenvoltura após uma prática intensiva é uma armadilha perigosa no seu processo de aprendizado.

Isso ocorre quando interpretamos a facilidade momentânea com que compreendemos ou lembramos de uma informação como um sinal de aprendizado profundo. Esse fenômeno é comum, por exemplo, quando estamos revisando material recém-estudado ou relendo anotações: sentimos que estamos “fluentes” no conteúdo, porque ele parece fluir com facilidade.

Do ponto de vista neurocientífico, a fluência de curto prazo é resultado da ativação temporária de redes neurais no seu córtex pré-frontal (seu centro de comando, lembra?) que, sem repetição e prática ativa, não se consolidam no hipocampo (seu bibliotecário) para serem transferidas para a memória de longo prazo.

Quando revisamos um material sem intervalos ou de forma muito próxima ao momento de aprendizagem, a memória de curto prazo ainda está fortemente ativada, o que gera uma sensação de familiaridade e confiança enganosa.

Entretanto, como já disse antes, a passagem para a memória de longo prazo requer processos de consolidação mais profundos, como a repetição espaçada e o engajamento ativo, que ajudam a fortalecer as conexões sinápticas e a garantir que a informação seja recuperável no futuro.

O antídoto para esse viés é garantir que suas revisões sejam espaçadas, e que você terá várias oportunidades de avaliar sua fluência real naqueles conteúdos. Se a fluência se repete por várias sessões de estudo, é um sinal de que o conteúdo foi, de fato, assimilado, e que se capacidade de discorrer sobre ele na hora da prova foi desenvolvida.

Já tratei da importância da revisão espaçada em um texto crítico à Curva do Esquecimento (leia aqui). Vale lembrar que os conceitos não são idênticos: a teoria da Curva do Esquecimento é apenas um modelo de aplicação — pouco prático, diga-se de passagem — do princípio da revisão espaçada.

A Ilusão do Senso Comum

A “ilusão de senso comum” é um viés cognitivo em que confundimos entendimento ou familiaridade com uma compreensão profunda ou domínio real. Apenas porque uma informação “faz sentido” enquanto a lemos ou ouvimos, muitas vezes damos por certo que seríamos capazes de recordá-la, explicá-la ou aplicá-la facilmente mais tarde.

No entanto, do ponto de vista neurobiológico, entender algo no momento e ser capaz de reproduzir ou usar essa informação posteriormente são processos distintos.

Quando uma informação simplesmente "faz sentido", podemos estar apenas ativando as redes semânticas ou associativas do cérebro – as regiões que respondem com reconhecimento, familiaridade e processamento de contexto geral.

Se parar para pensar, você vai se recordar das inúmeras ocasiões em que tinha certeza de que sabia um assunto, até que tentou explicá-lo e se deu conta de que não era capaz.

O que queremos nos seus estudos é criar oportunidades de recordar e aplicar o conhecimento. Isso ocorre por meio de processos de consolidação mais profundos dentro do hipocampo e de suas conexões com o neocórtex.

Quando nos envolvemos em uma compreensão meramente passiva — mas que faz sentido —, o cérebro não realiza esse processo completo de codificação, essencial para a retenção a longo prazo.

Em vez disso, a informação que nos parece intuitivamente clara muitas vezes permanece em um nível cognitivo superficial, o que significa que a reconhecemos no contexto, mas não conseguimos reconstruí-la ou articulá-la de forma independente.

Isso ocorre porque a verdadeira recordação exige o estabelecimento de vias neurais robustas e repetidas que ligam a nova informação a estruturas de conhecimento pré-existentes.

Ainda sobre isso, faz mais sentido entender que temas diferentes pedem apresentações diferentes. A compreensão de conceitos que precisam de uma ilustração visual — como conflitos históricos em fronteiras e questões geopolíticas — pede recursos como mapas, esquemas e diagramas.

A lição que fica é: para formar essas conexões de longo prazo, faça anotações, testes e revisões que consistem em avaliar sua capacidade de reelaborar, explicar e simplificar o conteúdo visto. Ainda, procure adaptar o canal de transmissão ao conteúdo da mensagem, e não a uma suposta predileção pessoal por um tipo de mídia.

A Ilusão do Domínio

Sofremos desse viés quando dominamos algo tão bem que comprometemos nossa capacidade de descrever o óbvio e as informações essenciais de um tema ao tratar dele. Isso ocorre porque colocamos no mesmo nível de importância os pormenores acessórios e as ideias principais do assunto sem uma devida hierarquização.

Já vi muitos candidatos perderem pontos valiosos na prova discursiva do CACD, ainda mais depois que as questões passaram a ser itemizadas, por prestigiarem as miudezas em detrimento do básico que deveria ser mencionado acerca de determinado tópico.

Este é o caso do que soi ocorrer nas conversas daquele colega que mencionei, cuja memória me impressionou. Como evitar esse problema de “saber demais”? É simples: sempre que acreditar estar preparado para abordar um assunto com segurança na prova, procure explicá-lo a alguém leigo. Como diria Richard Feynman, conhecido como “The Great Explainer”, você só entende algo quando consegue explicá-lo em termos simples.

A Falácia da Predominância dos Estilos de Aprendizagem

Essa é a minha preferida (de atacar), e eu apostaria que você já foi induzido a cair nela!

Ela corresponde à crença amplamente difundida de que as pessoas aprendem melhor quando são ensinadas e estudam de acordo com seu canal ou estilo de aprendizado autodeclarado – visual, auditivo ou cinestésico.

A maioria das pessoas que conheço acreditam que aprenderão melhor ao focar em seu estilo predominante. Para nossa sorte, pesquisas extensivas em neurociência sugerem que limitar o aprendizado a um único estilo não otimiza a compreensão ou a retenção. Pelo contrário.

Na verdade, o aprendizado verdadeiro se beneficia enormemente da ativação de múltiplas vias sensoriais e métodos de processamento. Quando interagimos de formas variadas com um novo material, criamos uma rede mais rica de conexões neurais que facilita a retenção e a recordação.

Assim, o cérebro aprende melhor por meio do engajamento multissensorial, pois recruta várias regiões e cria circuitos neurais mais fortes e flexíveis. Lembra das áreas do cérebro, de que falei na primeira parte do artigo?

Quando processamos informações de diferentes maneiras – como lendo, ouvindo e escrevendo –, ativamos diferentes vias neurais, o que fortalece as conexões sinápticas graças à plasticidade sináptica.

Esse reforço facilita a recuperação da informação mais tarde, pois o material agora está codificado em redes interconectadas, em vez de um único caminho isolado.

Estudos mostram que retemos informações com mais eficácia quando incorporamos abordagens variadas, como combinar imagens com explicações verbais ou complementar a leitura com algum tipo de aplicação prática, como escrever ou conversar a respeito.

Você aprenderá muito melhor se deixar de focar em apenas um “estilo preferido” e começar a adotar múltiplos canais de engajamento cerebral. Para isso, diversifique sempre que puder as formas de interação com o conteúdo.

A Leitura Dinâmica

A leitura dinâmica é promovida como uma forma rápida de absorver grandes volumes de informação, mas é horrível para quem deseja aprender e reter conhecimento. O aprendizado eficaz exige atenção profunda, compreensão e consolidação da memória, processos que são comprometidos na leitura dinâmica. Ao priorizar a velocidade, ela reduz o tempo necessário para um processamento profundo, prejudicando a formação de memórias duradouras.

Você a essa altura já lembra que é o hipocampo que consolida memórias ao conectar novas informações às redes já existentes no córtex. Esse processo requer tempo para reflexão, sedimentação e análise.

A leitura dinâmica enfraquece essas conexões neurais, levando a uma memória superficial e rapidamente esquecida.

Além disso, limita a ativação do córtex pré-frontal (seu centro de comando), essencial para atenção e pensamento crítico, resultando em um aprendizado superficial e menos analítico.

O que eu faria? Leia sempre sem pressa. Converse com o autor do livro. Faça reflexões. Converse com a Inteligência Artificial para se certificar de que você entendeu os conceitos. Faça anotações à margem. Crie perguntas de compreensão sobre os trechos mais difíceis e garanta que consegue resolver cada uma delas com precisão em relação ao conteúdo do texto fonte. Volte para o início do parágrafo quantas vezes precisar, sem se culpar por isso. Entenda que é normal precisar de tempo e esforço para esmiuçar, mastigar, decompor, saborear, deglutir, digerir e evacuar (why not?) o conteúdo.

A leitura é, antes de tudo, um diálogo com o autor e consigo próprio.

Algumas Técnicas de Estudos e suas Aplicações mais Úteis

Chegamos à parte mais esperada. As técnicas de estudos relacionadas a seguir correspondem às camadas de aprendizagem já descritas anteriormente. Você não precisa aplicar todas elas. Tome-as como sugestões de camadas que podem ser adicionadas sempre que surgir a necessidade de adensar o conhecimento de um tema ou memorizar informações específicas.

As técnicas serão agrupadas em categorias que representam os diferentes objetivos pedagógicos de um ciclo de aprendizado. Elas são do tipo: a) de identificação, mapeamento e classificação; b) de armazenamento, planejamento e previdência; c) de resgate e reelaboração; d) de memorização de curto prazo; e) de avaliação parametrizada.

a) Técnicas de Identificação, Mapeamento e Classificação

Essas técnicas são aquelas aplicadas no momento de leitura do texto a fim de destacar os tópicos frasais (ou frases tópicos) e dados como nomes, datas, números, fatos, conceitos, leis, incisos, etc. Elas ajudam a mapear o que precisa ser aprendido diretamente no texto-fonte.

Sendo assim, nessa categoria estão práticas como marcar ou sublinhar o texto, escrever à margem do texto, identificar termos que podem compor as cadeias associativas, adicionar etiquetas aos parágrafos, usar setas, círculos, isto é, tudo que ajude a indicar no texto o que é essencial e que precisa ser memorizado por meio de recursos que serão usados posteriormente.

Nesse momento, você pode ainda conversar com um tutor virtual, como o Chat GPT, a respeito do que você entende do assunto. Alimente-o com o conteúdo do texto-fonte, explique o que entendeu e pergunte se deixou de fora alguma informação útil. Peça para ele te fazer perguntas de assimilação. Explique a ideia geral do texto e pergunte se está correto. Converse com ele como se fosse o autor do texto que te deu a oportunidade de dialogar com ele. Use parte do conteúdo gerado a partir dessa interação como matéria-prima na construção do seu caderno digital na etapa seguinte.

Para você treinar um pouco essa técnica, criei um agente especial alimentado com todos os textos da série Tic Tac e com os outros principais artigos no blog Praeterea exclusivo para você. Converse com ele sobre as dúvidas que tiver acerca dos conceitos tratados neste texto e nos demais e veja na prática como a Inteligência Artificial pode ser um aliado valioso no seu processo de aprendizagem. Clique aqui para acessá-lo.

b) Técnicas de Armazenamento, Planejamento e Previdência

São as técnicas que garantem que o conteúdo original foi transformado e organizado de uma maneira que sua revisão seja possível no futuro. Trata-se da construção do seu material de estudos e da organização do seu repositório de informações que passarão a ser suas fontes de conhecimento, permitindo-o doravante prescindir dos textos-base.

A primeira dessas técnicas é a construção do seu caderno digital nos moldes já descritos. Como dito, você pode adicionar camadas de complexidade às suas anotações: crie frases com lacunas (FITB); assertivas com dados falsos; flashcards; mapas mentais; as cadeias de associação (neste momento você as cria no seu caderno digital); questões curtas e abertas de extração de dados específicos (vide acima); elabore um plano de exposição do conteúdo, como se você pretendesse dar uma aula sobre o tema; e/ou crie cartões de estudo no Notion (veja como abaixo).

Nem todos os temas, aliás, quase nenhum deles, merece tantas camadas. A criação do plano de exposição, por exemplo, é trabalhosa e exige ainda a execução dessa aula. Guarde-a para dominar melhor aqueles temas mais recorrentes do concurso.

Os cartões de estudo

Os cartões de estudo no Notion são minha técnica preferida de estudos tanto para matérias de conteúdo, como economia, política internacional, direito, etc., quanto para o vocabulário dos idiomas.

Observe a imagem a seguir:

Eles correspondem a uma estrutura de base de dados em tela inteira, criada no Notion, que permite a organização de cartões com informações dispostas em colunas e filas.

Cada fila corresponde a uma matéria. Cada coluna, a um nível de segurança no conhecimento. Quando você cria um cartão, você o associa a metadados como matéria, macrotema, etiquetas específicas, nível de alerta de erros e até a fonte de estudos de referência. Você pode, assim, aplicar filtros de modo a exibir na tela apenas os cartões que correspondem aos parâmetros de matéria, macrotema ou nível de conhecimento indicados por você.

Sugiro que você construa os cartões com um dos seguintes tipos de conteúdo: a) FITB sentences; b) assertivas com dados falsos; c) ajuda-memória (cue words); d) vocabulário de idiomas, com o vocábulo em português na frente do cartão.

O verso do cartão pode ser tão rico quanto você desejar. Ele pode guardar, além da resposta, conteúdo relacionado, links externos, imagens, vídeos, etc. O verso, que abre do lado direito, é, na verdade, uma página inteira do Notion!

Ao criar um cartão, ele reside na primeira coluna, que agrupa os cartões com conteúdos com que você ainda se sente “Totalmente inseguro”. É nessa coluna que entram os novos conhecimentos. À medida que você revisa os cartões, testando sua capacidade de resgatar o conteúdo oculto relativo a eles, você deve, a cada acerto, movê-los para a coluna mais próxima à direita sucessivamente até fazê-lo chegar no nível “Jamais esquecerei”. Se você errar algum deles no meio do caminho, ele pode voltar para a primeira coluna da esquerda, e receber, ainda por cima, um sinal de alerta a cada erro.

Em termos práticos, pelo menos 50% do seu tempo de revisão poderia ser gasto interagindo com os cartões que ficam mais à esquerda, que serão sempre seu conteúdo prioritário. Quanto mais à direita, mais espaçadas podem ser as revisões.

Os cartões de estudo apresentam algumas vantagens em relação aos flashcards, que cumprem funções semelhantes. A principal delas é a possibilidade de revisar uma quantidade grande de conteúdo em apenas uma tela. A segunda é que você pode aplicar filtros que permitem a exibição de cartões com parâmetros muito específicos, sem ter que criar baralhos diferentes para isso. Vamos dizer que você queira revisar apenas os cartões de Período Colonial em que você cometeu erros. No Notion, isso é fácil. A terceira delas é que você sempre sabe quais são suas prioridades: esses cartões estão sempre à esquerda da tela.

No caso específico dos idiomas, veja como a estrutura abaixo facilitou minha organização dos estudos do holandês:

Note como mantenho sempre na frente do cartão a palavra ou expressão em português, de modo a forçar minha memória a recuperar a informação na língua alvo. Essa pequena mudança prática fomenta a reconstrução reiterada das conexões criadas no meu cérebro que me permitem resgatar a palavra em holandês quando preciso dela.

Aproveitei também a estrutura que criei para estudar vocabulário de idiomas para associar cada cartão também à fonte de estudos em que o estudei.

Os cartões de vocabulário podem ainda conter outros metadados, como sinônimos, antônimos, contexto, definição, pronúncia, classe de palavras, frequência de uso, etc.

c) Técnicas de Resgate e Reelaboração

As técnicas de reelaboração do conteúdo são a faceta ativa da categoria anterior. Elas são justamente suas atividades de revisão, que são aplicadas em momentos posteriores ao estudo inicial, descrito nas duas primeiras categorias de técnicas acima.

Se antes você criou um material de revisão, agora você vai garantir que consegue recriá-lo de memória, ou identificar suas lacunas. É o momento de brincar com os seus flashcards; responder suas questões de compreensão; corrigir as assertivas com dados falsos; dar a aula a partir do plano de exposição; reconstruir mentalmente os mapas mentais que fez; fazer um brainstorming em uma folha em branco de tudo que você lembra do assunto; e responder as frases FITB.

Alguns métodos não-convencionais também são interessantes na fixação e ressignificação de conteúdos: escreva tuítes (ou Threads), grave vídeos no YouTube, poste algo no Instagram que represente sua própria perspectiva dos temas.

d) Técnica de Memorização de Curto Prazo

Sou péssimo para decorar letras de músicas, embora toque violão há mais de 30 anos. Pouco tempo atrás, resolvi aprender uma música que fez bastante sucesso no começo dos 2000, de Chris Cornell, chamada “Black Hole Sun”. Sem saber explicar o motivo, tive mais dificuldade de aprender essa letra do que geralmente tinha.

A solução que encontrei foi identificar os trechos de fricção, isto é, aquelas partes em que eu empacava. Peguei uma folha de caderno e escrevi um elemento visual para cada uma delas e os coloquei em sequência. Comecei a cantar a música, já olhando para o elemento visual seguinte. Assim, já tinha em mente o que teria que cantar depois de acabar o trecho do momento. Com o tempo, percebi que precisava cada vez menos da minha cola pictográfica, já que, com a prática reiterada, as associações naturalmente se formaram pela interação dos meus córtices visual, temporal e também o parietal, que articula os dois.

Essas técnicas de memorização de curto prazo cumprem exatamente essa função: garantir que dados avulsos sejam concatenados para uso imediato ou no médio prazo, sendo quase sempre necessário aplicar camadas de estudo e atividades práticas para que essas memórias se convertam em conhecimento de longo prazo.

Esse processo é possível graças à neuroplasticidade do cérebro, que permite que não só as conexões existentes nas vias neurais que ativam determinada lembrança fiquem mais fortes, mas também que se criem novas conexões (sinaptogênese) e vias neurais em resposta a novos estímulos relacionados a um conhecimento prévio.

Além da mnemotécnica, que descrevi, há um sistema chamado de Major, Maior ou Código Fonético, em que se associam sons a letras e imagens. Ele é muito útil para guardar sequências de dados e listas completas de informações. Pode ser bastante útil para lembrar os nomes de todos os presidentes do Brasil em sequência na véspera da prova, por exemplo. Se tiver interesse, busque na internet o sistema completo.

O Palácio da Memória

O Método de Loci, também conhecido como Palácio da Memória, é um método visual e extremamente eficiente para recordar listas não tão longas de conteúdo. Consiste em mentalizar um lugar conhecido, como a sala de sua casa, e em pontos específicos adicionar imagens que possam ser vinculadas com conteúdos que pretende memorizar.

Suponha que você queria decorar os seguintes elementos: militar, gramofone, o número 3010, a elasticidade-preço da demanda. Você pode imaginar um soldado sentado no móvel de entrada da sua casa; um gramofone tocando em cima do seu sofá; um morteiro explodindo a mesa de jantar (MoRTeiRo equivale ao número 3010 no sistema fonético); e um elástico gigante amarrando as cadeiras ao redor da mesa.

As imagens devem ser o mais vívidas possíveis, com cor, movimento, exageros e ações inesperadas. Com isso, elas são mais fáceis de serem lembradas e associadas entre si.

e) Técnicas de Avaliação Parametrizada

Chegamos à hora do teste da especificidade. É o momento em que descobrimos se o conhecimento que você adquiriu do conteúdo de fato possui transferência para sua capacidade de lidar com a prova.

Como descobrir se está preparado para a prova? Fazendo exercícios que correspondem exatamente ao que a prova já exigiu dos candidatos no passado, isto é, respondendo questões objetivas e discursivas de provas anteriores.

Neste momento, você identificará lacunas entre o conhecimento que você adquiriu e aquele que foi de fato cobrado na prova. Você terá uma chance não só de avaliar sua competência para responder o que sabe, mas também de lidar com armadilhas que exigem um grau de maturidade, uma certa malemolência e uma flexibilidade em relação ao conteúdo. Você ainda aprenderá, a partir da análise dos comentários dos professores, novos dados, informações e estratégias interpretativas.

Ao responder as questões discursivas você se dará conta, ainda, se é acometido pelos vieses cognitivos que descrevi acima, sobretudo o da ilusão do domínio, deixando informações básicas de fora e prestigiando a narração de fatos acessórios.

Essa retroalimentação nos permite enxergar as lacunas de conhecimento, as carências em termos de competências linguísticas e especificidade na maneira como tratamos o tema em questões reais de prova.

As revisões

Chegamos à parte final deste longo e prazeroso texto sobre técnicas de aprendizado voltadas ao CACD, mas também muito úteis para qualquer concurso público ou outra finalidade que demanda a capacidade de memorização.

Tendo discorrido sobre os principais fundamentos da neurociência que dão sustentação aos métodos, técnicas e práticas de estudo esboçadas na parte anterior, resta-nos somente amarrar as pontas soltas.

Muito falei sobre a necessidade de revisar o conteúdo. Recapitulando:

“A reelaboração espaçada, com frequentes episódios de testagem da reprodução do conteúdo com atividades análogas à prova, robustecida por sucessivas camadas de aprendizagem, é, portanto, o princípio que deve alicerçar qualquer técnica e método de estudo adotado no seu projeto de aprovação.”

Eu já disse como fazer isso, mas ainda não quando. Pois bem: há cinco momentos fundamentais em que você deve incluir revisões do conteúdo. Essas revisões correspondem basicamente à realização das atividades descritas como “Técnicas de Resgate e Reelaboração” na seção anterior.

Você certamente se recorda do artigo intitulado Tic Tac parte III (ver aqui), em que descrevo um modelo excelente de planejamento de estudos segmentado em macrociclo, mesociclos, blocos, semanas, dias e sessões.

Portanto, cada uma das 6 dimensões acima merece um tipo específico de revisão. Vamos descrever as melhores práticas partindo da menor unidade de tempo: a sessão de estudos.

Sessão. Ao final de cada sessão — o conjunto de horas em que você estudou a mesma matéria — você deve, obrigatoriamente, por 5 minutos, fazer as seguintes perguntas para si mesmo:

● O que foi mais importante do que estudei agora (conceitos, fatos, palavras, etc)?

● Existe algum ponto que não fixei tão bem? Qual? O que faltou?

● De maneira sucinta, como explicaria o que estudei nesta sessão?

Dia. Meia hora antes de dormir, reveja todo o conteúdo produzido por você no dia, de todas as matérias. Refaça as perguntas acima, já respondidas a cada sessão. Concentre-se naquilo que não aprendeu tão bem. Teste sua retenção de alguns cartões de memória, flashcards ou cue expressions nas suas apostilas.

Semana. O ideal é ter, para cada grupo de 3 matérias que esteja estudando ou já tenha estudado, um dia inteiro por semana. Por exemplo, no primeiro ciclo de estudos, em que você estuda apenas HB e HM, além dos idiomas, você tem um dia fixo para revisões. No segundo ciclo, você tem dois: um dia para cada grupo de matérias. Ao chegar no terceiro ciclo, você tem 3 dias inteiros de revisão na semana.

O mesmo se aplica se você está em um segundo macrociclo de estudos e pretende estudar todas as matérias ao mesmo tempo: é imprescindível que você tenha 2 ou 3 dias dedicados apenas às revisões dos temas passados.

Na revisão semanal, você vai sobretudo se concentrar na reelaboração do conteúdo a partir da leitura das cadeias associativas, cartões de estudo, flashcards, recriação mental dos mapas mentais, responder questões abertas de compreensão ou desempenhar outras atividades descritas como técnicas de resgate e reelaboração.

Vou descrever como seria uma hipotética sessão minha de revisão. Eu começaria acessando minha página ou trecho do caderno de estudos do tema escolhido. Suponha que seja “O Período pré-Colonial”.

Primeiro, eu leria apenas os elementos-chave que formam a cadeia associativa do texto inteiro. Por exemplo: Instrumentos -> Áreas exploradas -> Rotas -> Feitorias -> Sagres -> Descobrimento. A partir da leitura dessa cadeia, eu reconstruiria mentalmente ou verbalmente todo o conteúdo mais importante do texto que coloquei na apostila: as ideias principais, acessórias e os “enfeites”. É como se você estivesse tentando preencher uma folha em branco com o conteúdo que você deve saber. O maior benefício desse método é que você identifica facilmente as lacunas de conhecimento a partir da reelaboração do conteúdo feita por você mesmo: o melhor método de estudos que há para a fixação dos assuntos. Depois disso, percebi que alguns detalhes ficaram de fora, seja porque não sei mesmo o conteúdo, seja porque simplesmente não me vieram à lembrança de maneira espontânea.

Qualquer que seja o caso, preciso criar ferramentas que me permitam agora aprender o conteúdo e lembrar dele ativamente. Nesse caso, depois de uma releitura de minhas anotações e da identificação de quais são esses dados que não consegui lembrar, posso criar lacunas no próprio texto que exigirão, em revisões subsequentes, que minha memória recrie aquele conteúdo. Observe o seguinte trecho:

“Antes de chegarem ao Brasil, os portugueses já haviam conquistado Ceuta, no norte da África, iniciando sua expansão além-mar e explorado e colonizado as ilhas atlânticas da Madeira e dos Açores, que serviram como pontos estratégicos de apoio logístico. Estabeleceram feitorias e postos comerciais na costa da África Ocidental, em lugares como Cabo Verde, Guiné e Elmina (Gana), fomentando o comércio de ouro, especiarias e escravos. Além disso, Bartolomeu Dias contornou o Cabo da Boa Esperança, abrindo a rota marítima em direção à Índia e fortalecendo a expansão comercial portuguesa rumo ao Oriente.”

Não consegui lembrar os lugares da costa da África Ocidental ocupados por Portugal (marcados com fundo vermelho). Uma primeira camada que poderia ser aplicada é a substituição dos termos por uma lacuna ou uma ajuda-memória. O trecho ficaria, portanto: “...África Ocidental, em lugares como [3 lugares], fomentando…”. A resposta eu anotaria em um comentário no Notion, que ficará à margem direita da tela, para eventual referência. Eu faria isso com todos os dados que devem ser memorizados do texto.

Se, mesmo assim, percebi que, em sessões futuras, ainda não consigo evocar a informação, adiciono camadas. A primeira delas poderia ser um cartão de estudos contendo uma assertiva falsa: “...África Oriental, em lugares como Zanzibar, Pretória e Windhoek (Namíbia), fomentando…”. O simples ato de redigir uma assertiva falsa quando você sabe a resposta correta já é uma criação ou ativação relevante de vias neurais para o resgate posterior da memória.

Mesmo assim, persistindo a incapacidade de resgate das informações, crie questões abertas que cobrem esse conteúdo específico: “Quais foram as áreas ocupadas por Portugal na costa ocidental da África durante as grandes navegações?”. Se achar difícil, adicione as iniciais (CV, Gu, G-E) ou crie um mnemônico ("Cavalos Verdes Guiam os Elmos Ganhadores"). A frase parece absurda: mas é muito visual. Será, portanto, fácil de lembrar.

Para fixar ainda melhor, olhe o mapa da costa africana ocupada por Portugal: ele vai adicionar contexto e relevância ao conteúdo, criando, mais uma vez, vias neurais adicionais para a reelaboração da memória no futuro. Se precisar ir além, converse com um tutor virtual (Chat GPT ou similar) para entender causas subjacentes à ocupação. A ideia é dar tanto contexto ao dado que ele será assimilado naturalmente. A ideia é usar tantas técnicas de estudo quanto achar necessário até que o conteúdo faça parte de sua natureza.

Bloco. Ao terminar um bloco temático, isto é, o estudo de um macrotema completo (por exemplo, o Período Colonial, em história do Brasil), você pode tirar um dia inteiro para rever seu material inteiro, sempre com foco na reelaboração do conteúdo. Este é um excelente momento para responder às listas de questões objetivas e discursivas de provas passadas, como descrito na seção "Técnicas de Avaliação Parametrizada”.

Mesociclo. É o momento em que você completa o estudo de uma matéria inteira. É hora de separar entre 10 e 15 dias apenas para garantir que todo o conteúdo que você produziu está na ponta da língua. Você pode adicionar, ainda, neste momento, a resolução de questões dos dois tipos sobre todos os temas da matéria.

Macrociclo. A revisão do macrociclo se dá naquele momento em que o edital vai para a praça. O objetivo principal é garantir que você tenha o treinamento específico das habilidades cobradas na prova ao tempo em que, mais uma vez, se entrega à revisão de todo o conteúdo de todas as matérias que você estudou durante o ano.

É quando tudo se integra: você não mais estuda um grupo de matérias ou de temas por vez. Você tem que ser capaz de articular e associar um grande volume de conhecimentos e competências. A revisão do conteúdo agora precisa ser integrada nas questões discursivas que você produz e nas objetivas que você analisa. Encontre as pontes. Melhor: forme-as.

Neste momento, em que todo o conteúdo programático já foi visto, processado, mapeado, treinado, testado e reelaborado sucessivas vezes, você precisa garantir que vai não só reconhecer as informações se as vir na prova, mas sobretudo reproduzir o que estudou com uma narrativa coesa, coerente, bem estruturada e rica em conteúdo.

Nesse momento, use técnicas como a exposição de aulas preparadas por você; resolução de discursivas; criação de mapas mentais que concatenam ideias principais de temas extensos; narração de suas anotações a partir de cadeias associativas, entre outras. Privilegie atividades que trabalhem sua expressividade e competências de linguagem, e não apenas a memorização de dados, como a redação de questões discursivas.

É nessa hora que a especificidade toma conta da sua vida.

Esse tema da forma e linguagem de resolução das discursivas é, aliás, permeado de complexidades e perplexidades! Será que merece um artigo dedicado: um Tic Tac V, quem sabe?

Chegamos, portanto, ao fim de mais um longo artigo, que traz a promessa de dotar você dos mecanismos que asseguram a retenção de até 100% do conteúdo estudado. Tenho certeza de que, com disciplina, método e resiliência, você tirará o máximo proveito das dicas de estudo e conceitos científicos tratados neste material.

Marcílio Falcão

Diplomata

Marcílio Falcão (@falcao.marcilio) é diplomata de carreira desde 2007 e orientador para o CACD. Jornalista de formação, iniciou-se na docência há 30 anos e se dedicou, de forma intermitente, desde sua aprovação no CACD, à preparação de outros candidatos ao concurso.

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